Sem sombra de dúvida, Minas Gerais é um dos estados que mais produz – e consome – queijo em todo o país. Atualmente, são 70 mil toneladas por ano. O queijo Minas Artesanal é produzido em diversas regiões, mas atualmente destacam-se sete microrregiões produtoras: Araxá, Campo das Vertentes, Canastra, Serro, Serra do Salitre, Vale do Jequitinhonha e Vale do Suaçuí.

Quer conhecer mais de cada região? Vem com a gente desvendar o mapa do queijo!

 

Canastra

A Serra da Canastra é onde nasce o Rio São Francisco e o microclima da região é propício para a produção deste tipo especial de queijo, que é produzido com leite cru, seguindo as tradições familiares que passam de pai pra filho. O que dá o sabor característico são as bactérias naturais que vivem naquela região, além do tipo de gado e a pastagem. Por isso, não se pode fazer queijo Canastra em qualquer outro lugar do mundo!

De acordo com o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e com o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), o queijo canastra só pode ser assim chamado se for produzido em um dos sete municípios que compõe a região da Serra da Canastra: Capitólio, Sacramento, Delfinópolis, São João Batista da Glória, São Roque de Minas, Vargem Bonita e Piumhi.

O queijo Canastra pode ser comercializado fresco ou curado. O curado passa por um processo de maturação, onde os produtores deixam o queijo “amadurecer” e criar aquela casca amarelada por fora. A casca do Canastra normalmente é lisa e ligeiramente oleosa.

Você sabia que somente na Serra da Canastra há mais de mil produtores de queijo? Nós trabalhamos com vários deles, dá uma olhadinha aqui. O queijo “Estância Capim Canastra” do produtor Guilherme, produzido em São Roque de Minas, conquistou o segundo lugar em um dos principais concursos de queijos do mundo, realizado na França: o Mondial du Fromage de Tours. Chique né?

 

Serro

A descoberta do ouro na Serra do Espinhaço, foi o que estimulou as primeiras produções de queijo na região do Serro. São 11 municípios que hoje se dedicam à produção queijeira: Serro, Conceição do Mato Dentro, Dom Joaquim, Alvorada de Minas, Sabinópolis, Materlândia, Paulistas, Rio Vermelho, Coluna, Serra Azul de Minas e Santo Antônio do Itambé.

É nessa região que se produz o queijo de Gir, de casca dura e mofo branco, o que confere um sabor intenso e picante, proveniente do mofo que é natural da região do Serro. Esse tipo de queijo tem mais de 300 anos de história e é produzido com leite cru do gado da raça Gir, sal e o pingo (fermento lácteo natural da região). O tempo de maturação varia de 45 a 60 dias, dependendo do clima e temperatura.

Queijo do Serro é tão especial, que o produtor Tulio Madureira, trouxe para Minas Gerais duas medalhas da França, uma de prata com o Queijo Kankrej e uma de bronze com o Queijo Gir, ambos produzidos na região do Serro. Falando em Queijo Kankrej, esse é um outro tipo de queijo produzido na região, elaborado exclusivamente com leite da raça de gado Guzerá.

O Queijo do Serro, em geral, possui textura macia, aspecto amanteigado e um sabor peculiar. Em 2002 foi registrado como Patrimônio Cultural de Minas Gerais.

Serra do Salitre (ou Cerrado)

As condições climáticas da Serra do Salitre são também favoráveis à produção de queijo, pois o clima é tropical de altitude, típico do cerrado. O queijo produzido nesta região é bem diferente do queijo Canastra, exatamente porque a flora bacteriana é única da região, proporcionando um sabor exclusivo ao queijo.

Este queijo é suave e cremoso e quanto mais tempo maturando, mais intenso fica o seu sabor. Ele é vendido fresco, meia cura, curado ou tipo imperial, isto é, coberto por uma resina que pode ser amarela ou preta, que protege o queijo. Essa resina serve para proporcionar uma maturação mais lenta, preservando a massa branca do queijo e um sabor mais apurado.

Araxá

Em Araxá é produzido o queijo de mesmo nome, com a receita trazida pelos portugueses na época da colonização. Menos famoso que os queijos do Serro e da Canastra, a Associação Queijo Araxá e a Ampla – Associação dos Municípios da Microrregião do Planalto de Araxá (Ampla) ainda lutam para que o queijo dessa microrregião seja reconhecido.

São 11 municípios que compõe esta região queijeira: Araxá, Campos Altos, Conquista, Ibiá, Pedrinópolis, Perdizes, Pratinha, Sacramento, Santa Juliana, Tapira e Uberaba. Nessa região, são produzidos cerca de 1 milhão de litros de leite por dia, e 40% dessa produção vai para a produção do queijo. É muita coisa né?

O queijo é de casca fina, amarelo claro, normalmente vem com o carimbo (ou relevo) do produtor. Seu sabor é ácido, amanteigado e pouco salgado. Quanto mais curado, mais intenso o sabor e mais firme o queijo.

Uma curiosidade é que em Araxá o trabalho de fazer o queijo é essencialmente feminino. Dizem que a mão das mulheres é mais quente e ajuda a formar a peça e a manter a temperatura do leite recém-ordenhado. Já no Serro, o “fazer queijo” é um trabalho mais masculino.

Na nossa loja, você pode adquirir o delicioso queijo Araxá do casal Joel e Marly que foi eleito o melhor queijo de leite cru e massa prensada no Mondial du Fromage 2017, realizado em Tours/França. Trazendo medalha de Ouro e Super Ouro!

 

Campo das Vertentes

Nessa região, ao sul do estado, se produz o queijo Catauá, também conhecido como queijo da Mantiqueira. Esse queijo vem de uma tradição que remonta o período do Brasil colonial, com a família de João Carlos Dutra, que já faz queijo há 8 gerações.

Veja o filme da produção do queijo Catauá:

Uma das peculiaridades desse queijo é que o gado é da raça Jersey, que causa um estrago ambiental menor nos pastos que as outras raças, principalmente por causa do baixo peso. As vacas se alimentam da pastagem natural (nativa), se alimentam de milho (não transgênico) e passam por tratamentos de fitoterapia e homeopatia. Tudo isso para garantir o melhor leite!

O Catauá é um queijo artesanal “meia cura” ou maturado, que utiliza o leite cru, o sal em pedra, o coalho industrial e o “pingo” (fermento biológico). A maturação é feita em prateleiras de madeira. O nome Catauá é em homenagem à tribo indígena nativa dessa região. A rendinha branca que envolve o queijo é uma maneira de relembrar o modo português de fazer queijo.

 

 

Vale do Suaçuí

Essa é uma região que difere das outras pela tradição de se fazer queijos no estilo parmesão artesanal.

Esse queijo tem um processo todo diferente de produção Primeiro pela adição do coalho, depois eles ficam de três a quatro dias em salmoura. Em seguida, passam por um processo de salga seca, por mais dois ou três dias e são colocados em câmara fria (por volta de 15 graus) por até dez dias.

Um dos queijos que se destaca é o Parmesão Califórnia de Água Boa. É um queijo com 3 meses de maturação, mais usado para ser ralado e usar em salgados, massas e etc. E também muito apreciado como tira-gosto, porque tem a massa macia e levemente salgada.

 

 

Vale do Jequitinhonha

Na região do Vale do Jequitinhonha, destaca-se a produção do queijo Cabacinha, que é feito no formato de uma cabaça. A origem deste queijo é italiana, conhecido também por Cáccio Cavalo, pois antigamente era feito com o leite cru de jumenta. Atualmente é feito com leite de vaca mesmo.

Esse queijo teve a região reconhecida pelo IMA em 2014, e atualmente cinco municípios produzem queijos: Pedra Azul, Medina, Cachoeira do Pajeú, Comercinho e Itaobim. Porém, ainda não é muito conhecido pelo público em geral.

Para a fabricação, é utilizado o leite, o pingo e o coalho líquido. Veja no vídeo a seguir, como se dá a produção dessa especiaria:

Como você pôde perceber, cada região tem suas especificidades, porém, existem aspectos comuns na produção de todos esses queijos, como o uso do leite cru, o sal e a adição de pingo, que nada mais é que um fermento láctico natural recolhido a partir do soro que drena do próprio queijo.  Esse soro é guardado e utilizado na produção do queijo no dia seguinte. É ele que transfere para o queijo as características típicas da região!

Curiosidade: somente os queijos do Serro e Canastra possuem atualmente o selo de Indicação Geográfica (IG), que indica a tradição e a localização como influenciadores do sabor do produto.

E ai? Ficou com água na boca? Conte pra gente! Vários desses queijos você encontra aqui na nossa lojinha online e também nas lojas físicas!

 

 

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